domingo, 8 de março de 2015

À última luz

Ele perguntou qual era seu horário favorito.
- O crepúsculo, ela respondeu sem hesitar, com um sorriso de pôr do sol.
"Ora, com o até logo do astro-rei, nada é definitivo. As cores mudam ao piscar dos olhos. Dependendo do seu estado de espírito, você admira mais um tom - que se despede, de súbito, como um sonho que não pode ser seu e que fica ali, naquele olhar efêmero, pairando, como uma lembrança colorida e misteriosa."
Ela gosta do crepúsculo não só pela bela paleta de cores.
Mas, sobretudo, pela analogia com a vida. Que muda de cor e brilho lépida e frequentemente, que se repete, passa e se esvai, a cada fim de tarde.
A dualidade do claro e do escuro, reflexo do que somos todos - luz e breu. -Crepúsculo é o inspirar do recomeço. É o fôlego do amanhã, ela concluiu.

E, de repente, ao olhar para o céu, a primeira estrela, d'alva, já estava lá, majestosa, iluminando os olhos dela.
Boa noite, noite!


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Criado por: Ana Beatriz Miranda.
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