terça-feira, 2 de abril de 2013

Janelas da alma


Os olhos eram de um castanho tão profundo que refletiam o que não cabia nas palavras. 
Às vezes tinham um brilho avermelhado, confessando sutilmente desejos e pecados febris.
N'outras, eram cinzas de um passado que se foi. Grandes, vazios, paralisados naquele tempo de luz. 
Tinham momentos de calmaria. Um marrom terno, doce, quente, confortável. Que aconchega e abriga olhares de terremoto.
Eles também sabiam sorrir. Diminuíam centímetros e se apertavam livres, em comunhão com os lábios.
Ou sorriam sozinhos. Em silêncio. Observando. Brincando de ser feliz. 
Eram os olhos de quem enxerga além do que se vê. 
Inteligentes, velozes, hábeis, antigos. 
Olhos feitos de mistério, magnéticos. Que prendem, sugam, despem, exploram e descobrem: corpo, mente, outros olhos, alma, coração.
Quando estão negros, como poços obscuros e perigosos, é bom deixá-los a sós. Longe, fitando um horizonte sem fim. Até que as lágrimas lavem o que não foi.
Todavia, quando estiverem como milhões de estrelas - faiscando, iluminando, transformando - olhos de paixão, preste toda a atenção. 
Esses são os olhos de quem recomeçou e está esticando a mão dizendo assim: 
-Me leva com você.


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Criado por: Ana Beatriz Miranda.
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