quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Meu sol


Era uma alma tecida por estrelas. Luz antiga, irradiando feixes escondidos. 
Carapaça de caranguejo. Sensibilidade mal disfarçada. 
Foi naquela curva: despedida por lenços brancos de partida. 
Ouça esse silêncio. 
Olhe para o lado. 
Recomece, reconstrua, afaste essas pinças de defesa. 
Mostre o peito nu, o rosto amassado do despertar, o riso profundo que vem lá de dentro. 
Deixe os olhos denunciarem o inegável.
Relembre aquela terna tarde de sol, umas noites suspensas, uma fisgada em um músculo desconhecido, um cheiro costumeiro, um gosto bem do jeito que se gosta. 
Redescubra uma morada no cangote, um beijo sem querer, um repouso para um olhar cansado.
Há os iguais, todos com o mesmo tom. Os que não sabem, não entendem, não podem, não são. Todos falando a mesma língua.
E há você. Com suas verdades cruas, seu sorriso lindo feito de ímã, sua bagunça se aconchegando na minha, um pedaço de menino que mora em você - e encanta, envolve, embala.
Brilhe assim, mais perto, mais forte. 
E venha! Assim, tão dono de si, assim tão vulnerável, venha assim, me enxergando transparente, venha, sob o luar de câncer, iluminar minha solidão.

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Criado por: Ana Beatriz Miranda.
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