sábado, 1 de setembro de 2012

A voz do vento

Hoje eu acordei com o inverno soprando uma brisa suave e renovadora. O vento me sussurrou conselhos, segredos e bons presságios. 
Disse que eu devo confiar na minha intuição - e que, aliás, todos os cancerianos com ascendente em escorpião devem. Ensinou-me a não desacreditar nas pessoas, na verdade e no amor - apesar da recente decepção me desencorajar. Mandou-me sorrir e rir - muito, não ser tão rabugenta, debochar de mim mesma, acreditar que posso ir além, sempre. Aconselhou-me a seguir a luz das estrelas sem olhar para baixo, de mãos dadas com os meus. A ser mais leve, a não sufocar, a não me esquecer dos valores cultivados, a não revidar. Afinal, a brisa me disse, o mal fica pra quem o faz, o destino se encarrega. 
Ela me segredou que a maré está, enfim, virando. Delicada e cuidadosamente para não haver sustos.
Cheia de esperança, todavia com receio das quedas, eu a questionei se vou saber lidar com o que o futuro trará, se vou enxergar as boas oportunidades. 
O vento riu-se todo da minha insegurança e assim falou: não se preocupe. A roda viva vai levar embora toda dor e você vai se entregar ao mundo com toda intensidade que lhe é peculiar, sem se lembrar das cicatrizes que ficaram. Porque é só assim que vale a pena viver. Com riscos, com a cara e a coragem, com a cabeça erguida, com muita vontade. 
E foi-se embora.
O que me ficou do encontro inusitado foi um brilho novo nos olhos. A convicção de não mais perder meu tempo com o que não me acrescenta nada. 
E ser nova, novíssima, cada vez melhor, aproveitando a nova idade que veio junto com a fria brisa invernal.
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Criado por: Ana Beatriz Miranda.
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