quarta-feira, 25 de julho de 2012

Por um triz

Ando cansada de novidade. Preguiça de me aventurar, de expandir os horizontes. 
Eu quero é sentir de novo um sentimento antigo, matar saudade acumulada, me doar de corpo, alma e coração. 
Minha introspecção acentuada me deixa assim: minimalista. 
Quero a simplicidade de deitar no colo, ouvir boa música, tomar um vinho barato, jogar conversa fora e fazer confissões. Quero leveza e suavidade!
Sentir o mesmo cheiro. Prender pelo olhar.
O que sinto é o revés do racional: o desejo mais humano - absolutamente visceral.
Um bem querer inusitado, quase se tornando necessário.
Agora diz, diz se é perigoso a gente ser feliz.
Que é, é. 
Mas o que nessa vida mortal que tem graça sem risco?

terça-feira, 10 de julho de 2012

Para o tempo

Tempo, eu te peço: não passes tão depressa. 
Preciso de tempo, tempo. Minutos a mais de sono, muito mais horas com os meus, menos correria, passos mais lentos - pra enxergar a paisagem e reparar em todas as suas cores, pra escutar os pequenos murmúrios. 
Quero menos descuido, mais atenção. Saborear segundos, imortalizar noites, ressuscitar olhares e sorrisos.
Mas tu tens pressa, eu sei. A rotação do planeta azul não pára - e parece girar mais rápido a cada dia. 
Tudo bem, eu compreendo. 
Só não me deixes atropelar planos, sufocar de ansiedade, tropeçar no que ficou a fazer por tua falta. 
Vou voar contigo, tempo. 
Leva-me pela mão, me ensina a pairar no vento, a abusar e lambuzar-me de ti com mais propriedade.
Escorras entre os dedos, sim, mas olha-me nos olhos enquanto escoas. 
Vem, vem que está na hora. Cada dia a mais é um dia a menos pro encontro acontecer.
Está na hora de viver.

domingo, 8 de julho de 2012

Mente, espinha e coração

Como encontrar o seu ponto de equilíbrio para se ter mente, alma e coração em sintonia?
Eu sei que há várias estradas para um mesmo destino e que o método para descobri-las é o mesmo: tentativa e erro. 
Sei também que é preciso se jogar de cabeça no abismo, assim, às cegas. E se deixar sentir. Tudo o que vier. 
Com a experiência, você aprende a dosar os sentimentos. Menos decepção, menos espera, menos dor, bem menos. Ora, novidades envelhecem. 
Depois das consequências dos tombos, rasteiras e buracos pelo caminho, percebemos-nos em plena calmaria. 
O que antes estava em carne viva, agora é só uma pálida cicatriz. Já se esbravejou, sangrou e amaldiçoou. Uma hora você deixa de se importar e pronto. 
De súbito, uma paz te invade, uma serenidade te envolve e você dá de cara com o equilíbrio ali, pairando no ar. 
O difícil é se manter na corda bamba sem cambalear. Andando em linha reta no tênue limiar dos extremos. Pode bater uma brisa forte e te fazer cair. 
Um vislumbre inesperado, uma fofoca indesejada, as tantas sensações sinestésicas - uma música que me traz o cheiro da sua pele, a textura das suas mãos, o calor do seu abraço. O toque do gosto, o som do perfume, a mistura de todos os sentidos.
Pra quem é exagerado, extremista, intenso - oi!, a paz que te faz flutuar se perde e te faz derrapar em lembranças e desejos. 
Calma, respire fundo. Deixe o olhar vaguear solitário em busca do ponto onde se encontrou o equilíbrio. Ele vai achá-lo. 
É que quando encontramos o caminho certo, até podemos nos esquecer de uma curva e nos perder. Mas sempre achamos a harmonia de novo. Acredite.
O mapa está dentro da gente. É só olhar com atenção. 
Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo.
Pra ser feliz, pra ser livre.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Descubra-me

Sou aquela consternação feroz
que é a alegria comum do querer
Por vezes sou púnico, sou o sofrer
Sou também aquela paixão veloz

Que de lua em lua vem tão atroz
Construindo sonhos pra dissolver
E em teu peito submerso te perder
Na distância daqueles sóis em foz

Saudade e júbilo de ponto a ponto
Nascem da minha etérea e límpida alma
Sou emoção, desejo, dor

No coração nasci e cresci por conto
Sou como o nobre sentimento em palma
E, a propósito, chamam-me de amor.




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Criado por: Ana Beatriz Miranda.
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